Virtudes Cardeais: As Maiores Virtudes!

Existem virtudes “mais importantes” que as outras?

Se você está lendo isso agora é porque certamente já leu nosso artigo “Mas afinal, o que é Virtude” aqui em nosso site. Assim sendo, já sabe que Virtude é todo bom hábito consciente que nos esforçamos para adquirir, a fim de nos tornarmos pessoas maiores e melhores.

Mas, quando pensamos em começar a trabalhar as virtudes, podemos nos deparar com a dúvida a respeito de por onde começar!

Existe alguma ordem a ser seguida? Ou, então, existe alguma hierarquia? Algumas virtudes são melhores ou mais importantes que outras?

A resposta para todas essas perguntas é SIM!

As virtudes são aqueles hábitos que aperfeiçoam nossas estruturas e, como vimos no artigo “Virtudes HUMANAS?”, nossas estruturas possuem uma hierarquia; assim sendo, possuem também as virtudes que as aperfeiçoam.

Somado a isso, temos o fato de que existem alguns hábitos mais gerais, mais abrangentes, que acabam abarcando os hábitos menores.

Esses hábitos maiores que aperfeiçoam diretamente nossas principais estruturas são chamados de Virtudes Cardeais.

O que é uma Virtude Cardeal

Virtudes Cardeais

A palavra “Cardeal” vem do latim Cardo, que significa “gonzo” ou “dobradiça”.

Tais virtudes são chamadas assim porque articulam, unem todas as demais virtudes menores em uma espécie de organismo.

Elas são as virtudes centrais ao redor das quais giram todas as demais.

Isso é assim porque as Virtudes Cardeais são aquelas que ordenam diretamente as principais estruturas humanas, a saber: as duas faculdades espirituais, Inteligência e Vontade, e os dois afetos principais, Concupiscível e Irascível.

É importante lembrar que estamos falando aqui de virtudes MORAIS. Isso significa dizer que tais virtudes ordenam a vida prática do ser humano.

Existem outras virtudes que ordenam o conhecimento e a vida espiritual do homem, sendo estas, inclusive, maiores e mais importantes que as morais.

Quanto à vida prática, ou seja, naquilo que concerne às ações e tomadas de decisão, ao agir ou não agir, imperam as Virtudes Morais Cardeais.

Funciona da seguinte maneira:

  • Prudência: ordena o Intelecto para agir segundo a reta razão
  • Justiça: ordena a Vontade para escolher segundo aquilo que é devido a cada um.
  • Fortaleza: ordena o Irascível para combater e resistir aos inimigos certos.
  • Temperança: ordena o Concupiscível para se manter dentro dos limites da honestidade, sem se exceder nem se erradicar.

Prudência: A Cocheira das Virtudes

Algum dos senhores poderia pensar: “mas se a virtude é um bom hábito consciente, ou seja, sustentado pela razão, então a Prudência deve ser uma das mais importantes!

”Esse alguém estaria correto!

A Prudência é considerada a chefe das virtudes, ou, como Santo Tomás costumava chamá-la (apoiado em seu mestre, Santo Alberto Magno), “Auriga Virtutum”, a Cocheira das Virtudes.

Assim a chamavam pois ela conduz a carruagem das virtudes. Isso quer dizer que é a Prudência que “diz” às outras virtudes qual seu objeto e como devem buscá-lo.

A definição de Prudência é: hábito de agir segundo a reta razão.

Em outras palavras, a Prudência nos inclina a agir baseados na Verdade!

Não agir baseado no que eu gosto, sinto ou acho, mas baseado em como as coisas realmente são.

Esse é o fundamento da Prudência: submeter as ações ao escrutínio da razão ANTES de agir. Avaliar a rota mais eficiente e ordenada e, então, agir.

Algo deve ser ressaltado aqui, no entanto. Uma parte indispensável da prudência é o AGIR!

Algumas pessoas se utilizam de uma aparência de Prudência para não agir nunca.

Isso é chamado de Prudência da Carne, uma espécie sutil de covardia.

Isso não é Prudência!

A verdadeira Prudência leva a solução do problema à ação ordenada, não à estagnação.

Como é uma virtude Cardeal, a Prudência tem algumas virtudes menores associadas a ela. Vejamos algumas:

  • Reflexibilidade: hábito de meditar sobre o passado a fim de avaliar os melhores modos de agir para o futuro.
  • Circunspecção: hábito de analisar a situação presente para melhor se adaptar às condições de ação.
  • Previsão: hábito de avaliar racionalmente as possibilidades futuras a fim de determinar o melhor curso de ação.

 

Treinamento da Prudência: separar um momento a cada dia e mais um a cada semana para avaliar a vida até ali, meditar sobre a situação presente e programar-se para o futuro. Fazer e seguir um bom cronograma.

Justiça: A Ordenadora da Vontade

Por mais que não seja a chefe de todas as virtudes, a Justiça está certamente próxima da primeira.

Isso se dá porque ela aperfeiçoa a Vontade, enquanto a Prudência (a chefe) ordena o Intelecto.

Se você já assistiu meu aulão sobre a estrutura da pessoa humana, sabe que a Vontade é dirigida pela Inteligência. Se não, recomendo fortemente que assista:

Sendo a Vontade submetida ao Intelecto, está também a Justiça submetida à Prudência.

Ainda assim, é a Justiça que torna possível que sejamos verdadeiramente bons e que ajamos verdadeiramente bem.

A definição da Virtude Cardeal da Justiça é: o hábito de dar a cada um e a cada coisa o que lhe é devido.

Essa definição, se mal interpretada, pode ser muito limitada. A maioria entende tal definição como o ato de dar a cada um aquilo que lhe é devido materialmente.

Isso seria reduzir demais a virtude da Justiça.

Na verdade, isso significa dar a cada um tudo aquilo que lhe é devido, o que inclui tempo, dedicação, serviço, atenção, lealdade e, às vezes, até mesmo devoção.

A Justiça está ligada diretamente com a ordem da criação, sendo a virtude da Ordem, inclusive, uma das derivadas da Justiça. O que “é devido” a cada um não é aleatório ou arbitrário, mas racional e prático.

Podemos ver isso com clareza em algumas das virtudes derivadas da Justiça:

  • Religião ou Piedade: hábito de dar a Deus o que lhe é devido. Como somos suas criaturas e amados por Ele primeiramente, devemos-Lhe nosso amor, obediência e culto.
  • Piedade Filial ou Respeito aos Pais: hábito de dar aos pais o que lhes é devido. Devemos a nossos pais nossa existência e nossa nutrição física e espiritual, sendo eles também autoridades em certo ponto da vida. Devemos a eles respeito e gratidão sempre, bem como obediência enquanto sob sua tutela (sim, independentemente da idade, deve-se obediência aos pais se ainda se depende diretamente deles).
  • Honestidade: hábito de ser fiel à palavra dada. Devemos aos outros o cumprimento das nossas promessas e a certeza de que, se dizemos algo, não mentimos deliberadamente.

 

Treinamento da Justiça: fazer uma lista de suas obrigações para com Deus, a sociedade, sua família e seus superiores e se esforçar o melhor possível para cumpri-las.

Fortaleza: A Virtude Cardeal do Irascível

Virtudes Cardeais

Entramos agora nas virtudes que ordenam as partes inferiores da alma humana. Quando digo inferiores, não quero dizer de forma alguma que são indignas; apenas que são partes que devem estar subordinadas à dimensão Espiritual.

A primeira que encontramos é aquela que ordena o apetite Irascível.

Ora, o Irascível é conhecidamente o “mais nobre” entre os dois tipos de apetite da parte sensível. Assim, a virtude que o ordena tende mais a direcioná-lo, apenas, que a controlá-lo ou reprimi-lo.

Esta é a função da virtude da Fortaleza.

A definição da Virtude Cardeal da Fortaleza é: hábito de direcionar o apetite irascível para o combate por objetivos honestos e nobres, ou para a resistência contra algum tipo de mal.

Isso significa que a Fortaleza nos ajuda a nos movermos vigorosamente na direção daquilo que é bom e a aguentarmos firmemente os danos daquilo que é mal.

Isso fica bastante claro nas duas principais virtudes integrantes da Fotaleza:

  • Coragem: capacidade habitual de assumir riscos necessários.
  • Paciência: capacidade habitual de suportar sofrimento e desconforto.

 

Treinamento da Fortaleza: fazer mais daquelas coisas úteis e boas de que não se gosta. Ex: lavar a louça, acordar cedo, fazer exercícios.

Temperança: A Virtude Cardeal do Concupiscível

Por fim, chegamos à virtude cardeal que aperfeiçoa nosso apetite mais baixo, o Concupiscível (com a única exceção da virtude da Mansidão, derivada da Temperança, mas reguladora do irascível).

Tal apetite, o Concupiscível, é considerado o mais baixo, pois é o apetite ligado mais proximamente com a dimensão corpórea e com os sentidos.

Se você quiser realmente saber mais sobre a Corporeidade e os Sentidos em formação, recomendo que dê uma olhada em nossos Ebooks sobre o assunto:

 

 

 

O Concupiscível é considerado menos nobre por estar muito preso ao tempo presente, possuindo pouca transcendência.

Não é à toa que o afeto mais ligado aos vícios da carne, a saber, o prazer, seja concupiscível.

Platão comparava os apetites humanos a dois cavalos que puxam a carruagem da alma. O Irascível seria o cavalo forte e bom. O Concupiscível seria o cavalo louco e irrequieto.

Isso significa que esse apetite deve ser sempre conduzido com rédea firme. Se apertada demais, faz o cavalo enlouquecer. Se muito solta, o cavalo sai correndo desvairado.

É necessário manter o controle na medida certa. Essa é a essência da virtude da Temperança.

A definição da Virtude Cardeal da Temperança é: hábito de manter os afetos e impulsos na medida da honestidade.

Um erro comum a respeito dessa definição é pensar que essa medida é uma questão de quantidade.

Não é o caso.

A “justa medida” de Aristóteles tem a ver com o objeto daquela ação ou impulso e não com quanta vazão damos a ele.

Um exemplo é o prazer da alimentação.

Qual o objeto do impulso de comer? A nutrição, evidentemente.

Ou seja, a “justa medida” com relação a esse impulso é a nutrição. Se comemos menos que o necessário, estamos agindo mal. Se comemos mais que o necessário ou coisas que fazem mal, erramos também.

Percebam que não é apenas questão de quantidade: um nadador olímpico que come um grande prato de macarrão pode estar ordenado, enquanto um professor que come a exata mesma quantidade pode estar no vício.

Isso porque o primeiro precisa de mais energia em sua nutrição. Comer mais, para ele, faz sentido; para o segundo, não.

Talvez isso fique um pouco mais claro se analisarmos algumas virtudes derivadas da Temperança:

  • Moderação alimentar: hábito de comer o necessário e apropriado à nutrição.
  • Castidade: hábito de manter o prazer de caráter sexual dentro de seu propósito, a saber, a constituição da família.
  • Humildade: hábito de manter o prazer da honra dentro de seu propósito, a saber, incentivar a ação boa do praticante, louvar a virtude e dar glória a Deus.

Treinamento da Temperança: fazer um pouco menos do que se gosta. Ex. Comer menos na refeição, deixar de comer sobremesa, reduzir telas.

Conclusão

Essas são as quatro Virtudes Cardeais.

Espero que essa explicação te estimule a buscá-las mais intensamente e a programar seu plano de vida.

Se você ainda acha muito difícil a implementação de uma vida virtuosa em sua casa e gostaria de uma ajuda para começar, tenho um convite a lhe fazer:

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Escrito por Prof. João Gabriel

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